Quem Somos
Realizado pela primeira vez em Belém, no ano de 2002, o Fórum Social Pan-Amazônico procurou nesta e nas três edições que se seguiram ( Belém 2003, Ciudad Guayana -Venezuela- 2004 e Manaus 2005) ser um espaço de construção conjunta da resistência dos povos dos países pan-amazônicos e de discussão de alternativas populares. A oportunidade da realização do Fórum Social Mundial, na capital paraense, relança o debate sobre a sua atualidade e a necessidade de sua rearticulação.
De início nos parece que o FSPA deveria ser compreendido como um espaço dos movimentos sociais, organizações, entidades e representação dos povos dos países pan-amazônicos,independente de sua localização na região amazônica. Sobre este ponto a própria Natureza nos dá lições: afinal de contas sem os glaciares dos Andes peruanos não existiria o Rio Amazonas e o derretimento destes glaciares é uma das principais razões das surpreendentes secas que tem assolado a região brasileira do Baixo Amazonas. Esta compreensão, aliás a mesma que presidiu o FSPA original, é também conseqüência do fato que a Pan-Amazonia é uma região compartilhada por diversos estados nacionais e de que não existe nem é defendida por nenhuma força popular a proposta de constituição deste território como um estado próprio.
Em segundo lugar o FSPA deveria ser a plataforma de lançamento, acompanhamento e desenvolvimento de campanhas de luta e solidariedade de âmbito internacional que poderiam inclusive, em alguns casos , adquirir caráter planetário em articulação com redes e movimentos de outros continentes. Na atual situação temas como a revisão do IRSA, a defesa dos territórios indígenas e quilombolas, o combate às monoculturas em terras amazônicas, o fim do trabalho escravo, o combate à privatização dos bens naturais, o fim da dominação francesa na Guiana, o fechamento das bases militares estadounidenses na Colômbia, a solidariedade ao processo democrático-revolucionário em curso na Bolívia e outras temas suscitam hoje ampla unidade dos atores sociais da Pan-Amazônia e deveriam ser transformados em ação concreta.
Em terceiro lugar, o FSPA deveria ser estimulador de contatos permanentes e ações conjuntas em nível local por intermédio da bem sucedida experiência dos Encontros Sem-Fronteiras.
Em quarto lugar, nas suas edições bi-anuais, o FSPA seria um espaço privilegiado de trocas de experiências e debates acerca de alternativas hoje já expressas em propostas como a constituição dos estados plurinacionais e o Bem Viver.
Por último cabe ressaltar que enquanto integrante da vasta constelação que compõem o Fórum Social Mundial, o FSPA abre a possibilidade de intercâmbio dos movimentos pan-amazônicos com seus congêneres no mundo inteiro, reforçando a ação comum e a solidariedade entre os povos.
Ao nosso ver, por todos estes motivos, a reconstrução do Fórum Social Pan-Amazônico é hoje uma imperiosa necessidade. Defendemos, portanto, seu relançamento, debatendo no interior do processo de convergências amazônicas do FSM, a reconstituição do Conselho Pan-Amazônico, a adoção de uma estrutura baseada em Grupos de Trabalho, capaz de dar conta das tarefas aqui delineadas e a marcação de sua quinta edição
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